----- Original Message -----
From: "Luis Carlos de Araujo Simões"
To: "Waldir Domingues de Araujo"
Sent: Monday, July 21, 2008 8:20 PM
Subject: Saudades!
Caros tios,Em comemoração a data de hoje, segue o registro de batismo do querido Vovô Didi:
"Aos 03/10/1910 batizei, digo, na Matriz de Angustura batizei
solennte. a Waldir, nascido a 21 de julho do corrente anno, filho
legítimo de Roque Domingues de Araujo e de D. Hercília Teixeira Côrtes
de Araujo, neto pela parte paterna de José Salathiel de Araujo e de D.
Maria Amélia de Araujo e pela parte materna do Dr. Francisco Cesário
de Figueiredo Côrtes Junior e de D. Ernerstina Teixeira Cortes. Foram
padrinhos: Antônio Domingues de Araujo e D. Rita de Cássia Araujo
Côrtes. Para constar fiz este assento assigno.Vigário Pe. Aristides
de Aro.? Porto?."Abraços,
Luís Carlos
Nasceu em 20/ago/1888, na Fazenda da Serra Bonita em Angustura, MG. Era filho de Antônio Manuel de Siqueira Domingues , comerciante e fazendeiro, fundador da primeira Casa Carcacena, e de Luiza Tereza Côrtes Domingues. Fez o curso primário na própria casa de seus pais e o secundário no internato do Colégio São Vicente de Paulo, em Petrópolis. Começou a trabalhar ainda cedo, na primeira Casa Carcacena fundada em 20/02/1988, pôr seu pai em Angustura. Trabalhou, no comércio , em Pirapetinga e Além Paraíba.
Estabeleceu-se em Santa Isabel. Em 1917, fundou em Cataguases, juntamente com seu primo Roque Domingues de Araujo, Manoel Vidal Leite Ribeiro, Jarbas Côrtes Domingues e João Fazollo a Casa Carcacena sob a razão social de Domingues Côrtes & Cia.
Em 07/09/1919, mudou-se para Cataguases com sua família, A casa comercial tornou-se importante. Em 1921, os anúncios no jornal "Cataguases" indicavam que a Casa Carcacena, vendia armarinhos, ferragens, sal fino e grosso, banhas, bacalhau, sabão cimento, etc., e comprava qualquer quantidade de milho, feijão e arroz. Em 1921 iniciou a construção de um majestoso prédio para a referida casa comercial," com 30 metros de frente, com sete portas de aço "e mais duas confortáveis residências no segundo andar .
Dez meses mais tarde, a nova Casa Carcacena, foi abençoada pelo vigário da paroquia, servindo como paraninfos á inauguração o Juiz de Direito Dr. Francisco Cleto Toscano Barreto e Caetano Mauro. Foi servido champanha e a
"Lyra Cataguasense" de Pascoal Ciodaro, fez-se ouvir. Em 1937, entraram para sócios , após o falecimento do sócio Roque Domingues de Araujo, seus filhos Waldir Côrtes de Araujo e Dr. Jairo Côrtes de Araujo. Em 15/12/1944, o Dr. Jairo Côrtes de Araujo, cedeu sua cota de capital a Fernando Côrtes Domingues e Anísio de Paula Machado. Vários parentes trabalharam durante o seu funcionamento, como Afrânio Werneck Côrtes, Sebastião Vilas Boas Côrtes, Joaquim Monteiro de Barros Lacerda, Jucá Vidal, Ernestina Côrtes Domingues, Maria da Glória Côrtes Domingues, Célia Côrtes Domingues , Nelson Monteiro de Barros, Roque Domingues de Araujo Netto e Waldir Domingues de Araujo. Em 31/12/67em face de motivo de saúde dos sócios Jarbas Côrtes Domingues e Homero
Côrtes Domingues, a Casa Carcacena em Cataguases encerrou suas atividades.
Homero Côrtes Domingues, teve papel preponderante na história do cinema, no início da carreira cinematográfica de Humberto Mauro, quando este e Pedro Comello queriam comprar equipamentos cinematográficos de segunda mão. E talvez, se Homero Côrtes Domingues, não interessasse pela idéia dos dois , nada seria feito neste sentido e o projeto cinematográfico de Cataguases, ficasse só na intenção.
Homero Côrtes Domingues , procurou interessar o Sr. Agenor Côrtes de Barros, que seguia com curiosidade o trabalho de Humberto , Homero e Pedro Comello. O Sr. Agenor passou também juntamente com Homero a participar do projeto e organizaram a nova empresa, "Phebo Sul América Film" e foram feitos diversos
filmes em Cataguases. A firma passou-se a denominar mais tarde "Phebo Brasil Film" produzindo o seu ultimo filme em 27/01/1930, logo após encerrou suas atividades.
O capital inicial foi de 150 contos de réis, que na época representava, uma pequena fortuna. Foram produzidos os seguintes filmes: Em 1926, o filme Primavera da Vida, ficou em 12 contos de réis.
Em 1927, surgiu o Tesouro Perdido, que custou 20 contos de réis.
Em 1928 Brasa Dormida, que custou 36 contos de réis.
E também em 1928, Sangue Mineiro, pôr 48 contos de réis.Assim terminou o Ciclo de Cataguases.
Foi nomeado para o cargo de Juiz de Paz, em Cataguases, em 08/05/31, pelo Governador de Minas Gerais, o Dr. Olegário Dias Maciel e em 02/02/1932, pelo Secretário do Interior Dr. Gustavo Capanema.
Em 28.02.1933, Homero Côrtes Domingues, foi nomeado para o cargo de Prefeito, Municipal de Cataguases, pelo Governador Dr. Olegário Dias Maciel,. Tomou posse em 02/03/1933, conforme termo de posse lavrado pelo Sr. Ruy de Miranda. Exerceu seu mandato durante 2 anos e 15 dias, até 16/05/1935, com uma gestão das mais eficientes para a cidade, apesar do curto mandato. Faleceu aos 87 anos de idade, no dia 05/02/1976, e repousa longe de sua querida cidade de Cataguases, mas ao lado de sua neta Maria Alice Domingues Vianna, no Cemitério do Parque da Colina, em Niterói, RJ.
Após sua morte assim escreveu o jornal "Cataguases":
CIDADE EM LUTO POR CINEASTA
Em decreto que baixou domingo, o prefeito Rodrigo Lana, de Cataguases, estabeleceu luto oficial no município durante três dias em memória de Homero Côrtes Domingues, figura destacada na história da cidade, pôr ter dado vida as iniciativas cinematográficas de Humberto Mauro.
Grande incentivador do cinema nacional, Homero Côrtes foi também ex-prefeito de Cataguases e suas últimas atividades estavam voltadas para o comércio.
Incluindo como representante do "Ciclo de Cataguases", Homero foi companheiro também de Agenor de Barros, outro cineasta de projeção nacional.
Nasceu em 16/ago/1877, na cidade de Leopoldina, MG., a sua infância foi passada no Rio de Janeiro, morando com seus pais na Fazenda Bangu, Realengo. Mais tarde voltou para Minas, para Fazenda da Solidão, pertencente a sua avó materna. A Fazenda Bangu o seu pai arrendou do Barão de Itacuruça. Estudou as primeiras letras com sua tia Xandica. Aos 11 anos de idade, começou a sua vida no trabalho. Em 1888, em Angustura , surgiu o Empório Angusturense, fundada pelo seu tio Antônio Manuel de Siqueira Domingues, firma de sortimentos diversos e cereais. Este Empório progrediu, adquirindo a confiança de sua freguesia, pela seriedade e distinção de seu chefe e auxiliares. Antônio Manuel de Siqueira Domingues , era conhecido pelo o apelido de "Carcacena", alcunha de seu pai o português Antônio Manuel Domingues. O apelido era porque ele gostava de narrar as aventuras do livro "Carcaceno" e contava para os amigos os episódios do livro como fosse ele o personagem , tendo com isto o alcunha de Carcacena. Antônio Domingues veio de Portugal com a idade de 11 anos. Foi dono da Fazenda Trimont.
Em pouco tempo, Roque , aos 15 anos de idade passou á gerência da firma. E aos 17 anos foi admitido como sócio do Empório, pela dedicação constante ao trabalho, conquistou grande confiança e admiração de seu tio. Mais tarde, o seu tio Antônio Manuel de Siqueira Domingues, comprou a Fazenda Nova Providência e retirou-se do comércio. Constituiu-se então a firma Vidal & Araujo, entrando como sócio seu cunhado Manuel Vidal Leite Ribeiro, e a casa com o nome fantasia de Casa Carcacena, que continuou sempre a prosperar. Roque fundou muitas casas em diversos pontos da zona da Mata, e os gerentes eram quase todos parentes seus, ou antigos auxiliares da casa de Angustura, passando a ser sócio nestas casas abertas e todas com denominação de Casa Carcacena. Em 1918, mudou-se para Juiz de Fora, nesta cidade existia uma antiga firma que ele ao chegar, comprou e a extinguiu. No lugar dessa ele organizou nova sociedade mercantil com a razão social de Vidal, Araújo , Fazollo & Cia., passando a exercer a gerência da mesma. Foi sempre estimado, exerceu o cargo de Vice-Presidente na Associação Comercial de Juiz de Fora, e fora sempre procurado em seu escritório para dar opiniões e entrevistas. Não fora homem político mas tinha opinião e idéias próprias. Tinha grande admiração pelo nosso Ruy Barbosa e pelo ex-presidente Arthur Bernardes.
Durante a sua vida no comércio ele fundou varias Casas Carcacenas, das quais citaremos as seguintes Sociedades solidarias: Vidal & Araujo Angustura - Vidal, Araujo, Fazollo & Cia.- Juiz de Fora - Araujo, Lessa & Cia Palmira(Santos Dumont).- Domingues Côrtes & Cia. - Cataguases - Côrtes, Irmão & Cia.- Ponte Nova - Côrtes, Ramos & Cia. - Santa Izabel .- Martins da Matta & Cia - Hotel Rio de Janeiro - Juiz de Fora. - Costa Reis & Cia - Recreio - Barros & Cia. - Mirai - Domingues & Cia Tombos de Carangola - São José de Além Paraíba - Monteiro de Barros & Cia - Providência, Cruz Alta, Varginha, Arranchador, Morro Alto e Leopoldina - Engenho Central de Café - Providência - Novo Engenho de Café - São Martinho - Usina de Beneficiar Arroz - Providência.
Em 1928 ele comprou em Juiz de Fora uma residência a rua Santo Antônio que mais tarde foi adquirida pela Faculdade de Direito e onde hoje acha-se instalado o Fórum da Cultura. Em Paraibuna divisa com o Estado do Rio de Janeiro, foi proprietário da Fazenda Santa Helena, em frente a Pedra de Paraibuna.
Aquele que jamais conhecera canseiras, agora com o estado precário de sua saúde, reclamava tratamento e repouso, sua energia fez com que não acreditasse, que estava enfermo e sem pressentir seu fim partiu para o Rio de Janeiro, com esperança pôr uma melhora e de se restabelecer.
Em 9 de março de 1937.,fôra atacado por um edema.
Em 10 de março de 1937 o padre jesuíta Frota Gentil lhe ministrou os últimos sacramentos.
Em 11 de março de 1937, ao meio-dia, badalavam compassadamente os sinos do Convento de Santo Antônio, num dos quartos do Hotel Avenida , hoje Galeria Central ele falecia.
Em l2 de março de 1937, em carro especial, da Central do Brasil, ligado ao "Rápido" o seu corpo foi transladado para Juiz de Fora, e seu féretro seguiu para a Catedral, onde fora encomendado pelo Revmo. Bispo Dom Justino José de Sant'ana, seguindo o cortejo após para o Cemitério Municipal